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Blog Dr. Júlio Ide • Uncategorized • 17.09.2026 • 12 min de leitura • 2 leituras

Tirzepatida para emagrecer: o que você precisa saber

Você já deve ter ouvido histórias de pessoas que perderam muito peso usando tirzepatida. Talvez também tenha ouvido alguém dizer que ela simplesmente “tira a fome”. Mas essa é uma explicação pequena demais para um tratamento que mudou de forma importante a…

Tirzepatida para emagrecer: o que você precisa saber
Caderno de SaúdeUncategorized
Caderno de SaúdeUncategorized

Você já deve ter ouvido histórias de pessoas que perderam muito peso usando tirzepatida.

Talvez também tenha ouvido alguém dizer que ela simplesmente “tira a fome”.

Mas essa é uma explicação pequena demais para um tratamento que mudou de forma importante a maneira como enxergamos a obesidade.

A tirzepatida para emagrecer pode, de fato, produzir reduções expressivas do peso corporal. Entretanto, o ponto mais importante não é apenas quantos quilos uma pessoa consegue perder.

É como ela perde esse peso, o que acontece com sua saúde durante o processo e, principalmente, como sustentar os resultados no longo prazo.

Hoje sabemos que obesidade não deve ser tratada simplesmente como falta de força de vontade. Trata-se de uma doença crônica e complexa, influenciada por fatores biológicos, hormonais, ambientais e comportamentais. Em 2025, inclusive, a Organização Mundial da Saúde publicou sua primeira diretriz global sobre medicamentos da família do GLP-1 no tratamento da obesidade, reforçando a necessidade de inseri-los dentro de um cuidado abrangente.

Então, afinal: como a tirzepatida funciona, para quem ela é indicada e quanto é possível emagrecer?

Vamos entender.

O que é tirzepatida?

A tirzepatida é um medicamento injetável utilizado uma vez por semana.

Embora seja frequentemente colocada no mesmo grupo das chamadas “canetas de GLP-1”, seu mecanismo tem uma característica particular: ela atua nos receptores de dois hormônios relacionados ao metabolismo e ao controle do apetite, GIP e GLP-1.

Esses sinais participam de mecanismos que envolvem saciedade, ingestão alimentar, secreção de insulina, controle da glicemia e metabolismo.

Além disso, a tirzepatida retarda o esvaziamento gástrico — principalmente no início do tratamento — e pode fazer com que a pessoa se sinta satisfeita com quantidades menores de alimento.

Por isso, muitas pessoas relatam algo bastante característico:

a comida simplesmente passa a ocupar menos espaço nos pensamentos.

No Brasil, a Anvisa aprovou em junho de 2025 o Mounjaro, cujo princípio ativo é a tirzepatida, também para o controle crônico do peso em adultos que preencham critérios específicos.

Para quem a tirzepatida para emagrecer é indicada?

Essa é uma das partes mais importantes desta conversa.

Tirzepatida não deveria ser entendida como um medicamento para quem simplesmente gostaria de perder alguns quilos antes de uma viagem ou de um evento.

Segundo a indicação aprovada pela Anvisa, o tratamento para controle crônico do peso pode ser considerado, associado a alimentação adequada e atividade física, para adultos com:

IMC igual ou superior a 30 kg/m², caracterizando obesidade; ou

IMC igual ou superior a 27 kg/m², quando existe pelo menos uma condição relacionada ao excesso de peso, como hipertensão, dislipidemia, pré-diabetes, diabetes tipo 2, apneia obstrutiva do sono ou doença cardiovascular.

Entretanto, o IMC não conta toda a história.

Na prática clínica, outros fatores também precisam ser avaliados: composição corporal, quantidade de gordura visceral, histórico de tentativas anteriores de emagrecimento, comportamento alimentar, exames laboratoriais, qualidade do sono, medicamentos utilizados, presença de doenças associadas e risco de perda excessiva de massa muscular.

Por isso, duas pessoas com exatamente o mesmo peso podem precisar de estratégias completamente diferentes.

Quanto é possível emagrecer com tirzepatida?

Provavelmente esta é a pergunta que trouxe muitas pessoas até este artigo.

E os resultados dos grandes estudos realmente chamam atenção.

No estudo SURMOUNT-1, publicado no New England Journal of Medicine, 2.539 adultos com obesidade ou sobrepeso associado a complicações relacionadas ao peso, sem diabetes, foram acompanhados por 72 semanas.

A redução média do peso foi de aproximadamente:

  • 15,0% com 5 mg;
  • 19,5% com 10 mg;
  • 20,9% com 15 mg;

enquanto o grupo placebo apresentou redução média de aproximadamente 3,1%.

Isso significa que uma pessoa com 100 kg, por exemplo, poderia apresentar uma redução média próxima a 20 kg nos grupos de maior dose dentro das condições daquele estudo.

Isso não significa, entretanto, que toda pessoa perderá 20%.

Resultados individuais variam bastante.

Além disso, o objetivo de um tratamento não deveria ser perseguir o maior número possível na balança.

Porque emagrecer mais nem sempre significa emagrecer melhor.

Esse ponto merece atenção.

Tirzepatida ou semaglutida: existe diferença?

Existe.

O estudo SURMOUNT-5, publicado em 2025 no New England Journal of Medicine, comparou diretamente tirzepatida e semaglutida em 751 adultos com obesidade sem diabetes.

Após 72 semanas, a redução média de peso foi de:

20,2% com tirzepatida

contra

13,7% com semaglutida.

A redução média da circunferência abdominal também foi maior com tirzepatida: 18,4 cm contra 13,0 cm.

É um resultado importante.

Entretanto, transformar essa informação em “um medicamento é sempre melhor que o outro” seria uma simplificação.

Resposta individual, tolerabilidade, doenças associadas, disponibilidade, custo e histórico clínico também fazem parte da escolha.

Esse assunto merece, inclusive, uma matéria própria.

Sugestão de link interno futuro:
Mounjaro ou Ozempic: qual é a diferença?

O emagrecimento acontece apenas porque a pessoa sente menos fome?

Não.

A redução do consumo alimentar tem papel importante, porém o funcionamento da tirzepatida é mais complexo.

Ela participa da regulação de mecanismos relacionados à saciedade, glicemia, insulina e metabolismo.

Além disso, um dado interessante ajuda a desmontar outro mito: os efeitos gastrointestinais não parecem explicar a maior parte da perda de peso.

Uma análise dos estudos SURMOUNT mostrou que náuseas, vômitos, diarreia e dispepsia contribuíram apenas modestamente para a redução observada. Ou seja, o paciente não emagrece simplesmente porque “passou mal e não conseguiu comer”.

Tirzepatida faz perder massa muscular?

Aqui começamos uma conversa que considero essencial.

Quando uma pessoa perde muito peso, nem tudo que desaparece da balança é gordura.

Em uma subanálise do SURMOUNT-1 utilizando DXA para avaliar composição corporal, aproximadamente 75% do peso perdido correspondeu a gordura e 25% a massa magra.

Isso não significa que tirzepatida especificamente “destrói músculos”.

A perda de alguma massa magra pode ocorrer durante processos importantes de redução de peso.

Entretanto, isso mostra por que um tratamento de emagrecimento não deveria acompanhar apenas:

“Quantos quilos você perdeu?”

Eu considero muito mais interessante acompanhar:

Quanto de gordura você perdeu?

Como está sua massa muscular?

Você continua forte?

Está ingerindo proteína suficiente?

Está realizando exercícios de força?

Seu metabolismo e seus exames estão melhorando?

É aqui que existe uma diferença importante entre ficar simplesmente mais leve e realmente melhorar a composição corporal.

Sugestão de link interno:
Como emagrecer sem perder massa muscular

E se eu não emagrecer rapidamente?

Também não significa necessariamente que o tratamento falhou.

Uma análise mais recente do SURMOUNT-1 avaliou pessoas que inicialmente responderam mais lentamente à tirzepatida.

Entre esses chamados “respondedores tardios”, 90% atingiram redução de pelo menos 5% do peso até a semana 72.

Isso reforça algo que vale para praticamente todo tratamento de obesidade:

não devemos comparar a velocidade de emagrecimento de duas pessoas diferentes.

Existe quem responda rapidamente.

Existe quem precise de mais tempo.

E existe quem necessite de outra estratégia.

Quais são os principais efeitos colaterais da tirzepatida?

Os efeitos adversos mais frequentes são gastrointestinais.

Entre eles estão:

  • náusea;
  • sensação de estômago cheio;
  • diarreia;
  • constipação;
  • vômitos;
  • desconforto abdominal;
  • refluxo ou dispepsia.

Nos grandes estudos, a maioria dos eventos gastrointestinais foi de intensidade leve a moderada e aconteceu principalmente durante os períodos de aumento das doses.

É justamente por isso que titulação, alimentação e acompanhamento fazem diferença.

A estratégia não deveria ser simplesmente aumentar a dose porque “a balança parou por uma semana”.

Existem efeitos adversos mais sérios?

Embora menos frequentes, existem situações que merecem atenção médica.

Entre os riscos e precauções descritos para essa classe e para a tirzepatida estão pancreatite, alterações da vesícula biliar, desidratação associada a sintomas gastrointestinais e hipoglicemia principalmente quando utilizada junto de determinados medicamentos para diabetes.

Em fevereiro de 2026, a Anvisa voltou a alertar para relatos de pancreatite aguda associados ao uso inadequado das chamadas canetas emagrecedoras, reforçando a importância da prescrição e do acompanhamento profissional. A Agência ressaltou, contudo, que isso não alterou a relação benefício-risco favorável quando os medicamentos são utilizados dentro de suas indicações aprovadas.

Dor abdominal intensa e persistente, principalmente quando acompanhada de vômitos, merece avaliação médica.

Quem não deve usar tirzepatida?

A avaliação precisa ser individualizada.

Entre as contraindicações descritas estão hipersensibilidade grave ao medicamento e histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide ou neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (NEM 2).

Além disso, tirzepatida não deve ser utilizada com objetivo de perda de peso durante a gravidez. A bula brasileira orienta que, diante de uma gravidez planejada, o medicamento seja interrompido pelo menos um mês antes.

Histórico de pancreatite, doenças gastrointestinais importantes, uso concomitante de outros medicamentos e outras situações clínicas também precisam entrar na avaliação.

Por isso, novamente:

não é apenas escolher uma caneta. É escolher uma estratégia terapêutica.

Preciso fazer dieta usando tirzepatida?

Sim, mas talvez seja melhor mudar a maneira como pensamos essa pergunta.

O objetivo não deveria ser combinar tirzepatida com a dieta mais restritiva possível.

Na verdade, quando o medicamento reduz bastante a fome, existe o risco de a pessoa simplesmente comer pouco demais e comer mal.

Consequentemente, um dos desafios passa a ser garantir qualidade nutricional dentro de um volume menor de comida.

Proteína adequada, frutas, vegetais, fibras, hidratação e alimentos minimamente processados continuam importantes.

Além disso, quando o objetivo inclui preservação muscular, a alimentação precisa conversar diretamente com o treinamento físico.

Tirzepatida facilita algumas barreiras biológicas do emagrecimento.

Ela não transforma uma alimentação inadequada em uma alimentação adequada.

Musculação é importante durante o tratamento?

Muito.

Especialmente porque o tratamento deveria buscar reduzir gordura preservando o máximo possível de capacidade funcional e massa muscular.

Treinamento resistido, ingestão adequada de proteínas e acompanhamento da composição corporal são componentes particularmente importantes durante grandes perdas de peso.

Isso se torna ainda mais relevante depois dos 40 ou 50 anos, quando preservar musculatura passa a ter impacto não apenas estético, mas também metabólico e funcional.

A balança pode dizer que duas pessoas emagreceram dez quilos.

A composição corporal pode mostrar duas histórias completamente diferentes.

Preciso usar tirzepatida para sempre?

Não existe uma resposta única para todas as pessoas.

Entretanto, existe uma informação importante.

Obesidade é atualmente compreendida como uma condição crônica e frequentemente recidivante. Por isso, interromper o tratamento não significa necessariamente que os mecanismos biológicos que favoreceram o ganho de peso desapareceram.

O estudo SURMOUNT-4 ajuda a entender isso.

Após 36 semanas de tratamento, os participantes apresentavam redução média de aproximadamente 20,9% do peso.

Depois disso, uma parte continuou recebendo tirzepatida e outra foi transferida para placebo.

Durante as 52 semanas seguintes, quem continuou tirzepatida perdeu mais 5,5%, em média. Já quem interrompeu apresentou reganho substancial de peso, com aumento médio de aproximadamente 14% a partir do peso registrado no momento da randomização.

Uma análise posterior publicada em 2025 encontrou ainda que maior reganho de peso após a retirada foi acompanhado por maior reversão de algumas das melhorias cardiometabólicas obtidas durante o tratamento.

Portanto, talvez uma pergunta mais interessante do que:

“Quando vou poder parar?”

seja:

“Qual será a minha estratégia de manutenção?”

Tirzepatida pode trazer benefícios além da balança?

Sim.

Os estudos vêm demonstrando efeitos em diferentes desfechos relacionados à obesidade.

Em pessoas com obesidade e pré-diabetes acompanhadas durante três anos, por exemplo, tirzepatida promoveu redução sustentada do peso e foi associada a menor progressão para diabetes tipo 2 em comparação ao placebo.

Além disso, no programa SURMOUNT-OSA, pacientes com obesidade e apneia obstrutiva do sono moderada a grave apresentaram melhora de peso, índice de apneia-hipopneia, pressão arterial sistólica e outros parâmetros.

Isso ajuda a explicar por que tratar obesidade vai muito além de uma transformação estética.

Então tirzepatida é a solução para emagrecer?

É uma ferramenta terapêutica extremamente relevante.

Mas transformar uma ferramenta eficiente em promessa de solução mágica é justamente onde começam muitos problemas.

O melhor tratamento não é necessariamente aquele que faz a balança cair mais rápido.

É aquele que consegue integrar:

redução de gordura corporal;

preservação de massa muscular;

alimentação adequada;

atividade física;

sono;

saúde metabólica;

controle de efeitos adversos;

e uma estratégia realista de manutenção.

Em outras palavras, a medicação pode facilitar o processo.

Entretanto, ela não deveria substituir a estratégia.

Tirzepatida para emagrecer: o que vale lembrar

A tirzepatida representa um dos avanços mais relevantes no tratamento farmacológico da obesidade dos últimos anos.

Os estudos mostram perdas médias expressivas de peso. Além disso, há evidências de melhora de diferentes parâmetros cardiometabólicos.

Por outro lado, o tratamento não é indicado para todas as pessoas, pode provocar efeitos adversos e precisa ser acompanhado.

E existe uma questão ainda mais importante:

emagrecer não deveria significar apenas ocupar menos espaço.

Um bom tratamento deveria ajudar você a construir um organismo metabolicamente mais saudável, mais funcional e preparado para sustentar o resultado conquistado.

Porque perder peso pode ser apenas o começo.

Manter saúde depois da perda é o verdadeiro objetivo.

Perguntas frequentes sobre tirzepatida

Tirzepatida emagrece mesmo?

Nos grandes estudos clínicos, sim. No SURMOUNT-1, a redução média chegou a aproximadamente 20,9% do peso corporal em 72 semanas com a maior dose estudada. Entretanto, a resposta varia de pessoa para pessoa.

Mounjaro e tirzepatida são a mesma coisa?

Tirzepatida é o princípio ativo. Mounjaro é uma das marcas comerciais que contém tirzepatida.

Tirzepatida tira a fome?

Ela atua em mecanismos relacionados à fome e à saciedade e geralmente reduz a ingestão alimentar. Entretanto, seus efeitos metabólicos não se limitam à redução do apetite.

Posso comprar tirzepatida sem receita?

Não. No Brasil, medicamentos agonistas relacionados ao GLP-1, incluindo tirzepatida, são sujeitos à prescrição com retenção da receita pela farmácia.

Vou engordar quando parar?

Não necessariamente todo o peso, nem em todas as pessoas. Entretanto, estudos demonstram risco significativo de reganho após interrupção. Por isso, manutenção deve fazer parte do planejamento desde o início.

Tirzepatida faz perder músculo?

Durante grandes reduções de peso também pode ocorrer redução de massa magra. Em uma subanálise do SURMOUNT-1, aproximadamente 25% do peso perdido correspondeu à massa magra. Por isso, exercício resistido e nutrição adequada merecem atenção durante o tratamento.

Conteúdo médico revisado por Dr. Julio Ide – CRM/SP 258924
Atuação em emagrecimento e saúde metabólica.

Este conteúdo possui caráter educativo e não substitui consulta, diagnóstico ou prescrição médica individualizada.

Nota editorial

Este conteúdo é informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou orientação individual de profissional habilitado.

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Especialista responsávelConteúdo Dr. Júlio

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Médico · CRM-SP 258924

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